Cobertura DDW 2012 | Digestive Disease Week

Pâncreas

Dra. Dulce Reis Guarita

CRM: 21137

  • Professora livre docente em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP
  • Membro da American Gastroenterological Association – AGA
 

Pancreatologia: principais condutas atualizadas

Por Dulce Reis Guarita / 29.05.2012 - 12:05hrs

O DDW, mais uma vez, não decepcionou. Em minha opinião, o ponto alto é o curso pré-congresso, que dura um dia e meio e resume as principais condutas atualizadas para cada área. Alguns dos pontos importantes em pancreatologia foram:

1. Em relação aos exames para estudo do pâncreas, salientou-se a crescente utilização do ultrassom endoscópico (USE) e da pancreatocolangiografia por ressonância magnética (PCRM) estimulada por secretina, reservando-se a pancreatocolangiografia retrógrada endoscópica (PCRE) para terapêutica (Grace H. Elta, University of Michigan Health System).

2. Nas pancreatites crônicas (PC) (Jacques Deviere. Erasme Hospital, Université Libre de Bruxelles), a manutenção da ingestão alcoólica triplica a mortalidade, há correlação estabelecida com o tabagismo, a dor deve ser avaliada por escala visual analógica (EVA) e pode ser tratada com pré-gabalina (Olesen, 2012). Litotripsia e endoterapia com colocação de stents (Dite, 2003; Cahen, 2007; Dumonceau, 2007; Seven, 2012) são recursos para dor persistente.

3. Nas pancreatites autoimunes (Scott M. Tener, State University of New York Health Sciences Center), quando e como retirar o corticoide e que medicação utilizar nas recidivas são questões ainda não respondidas. Trata-se de uma afecção rara, mas seu diagnóstico pode poupar o paciente de uma cirurgia de grande porte desnecessária.

4. Lesões císticas do pâncreas: tumores císticos serosos (SCT), neoplasias císticas mucinosas (MCN), neoplasias intraductais papilares mucinosas (IPMN) e neoplasias sólidas pseudopapilares (SPN) – Asif Khalid, VA Pittsburgh Health Care System.

a. MCN, IPMN e SPN podem se malignizar; USE com punção aspirativa para cistos maiores que 1,0 cm e em pacientes sintomáticos ou com aumento da lesão cística durante o acompanhamento.

b. CEA é o marcador tumoral mais acurado para lesão mucinosa; ressecção é a recomendação para MCN, IPMN de ducto principal e SPN.

c. Conduta em IPMN de ducto secundário é controversa; sintomas, tamanho maior que 3,0 cm e conteúdo sólido indicam ressecção pela possibilidade de malignidade (ver trabalho de Joyce Wong). 

5. Displasia de alto grau e adenocarcinoma são frequentes em IPMNs de ducto secundário menores que 3 cm ao USE.(Joyce Wong et al., H. Lee Moffitt Cancer Center, Tampa, FL).

a. 105 pacientes operados por IPMN de ducto secundário; dos cistos <s 1,0 cm ao USE, 14% tinham adenocarcinoma ductal; naqueles entre 2 e 3 cm, 48% tinham adenocarcinoma ductal e nos cistos maiores que 3 cm a patologia maligna existia em 43%.

Pontos principais em relação aos itens 4 e 5: as lesões císticas são um dos pontos nevrálgicos do estudo das doenças pancreáticas. Quando operar? Observar? Até o momento, seguia-se a proposta de Tanaka et al (2006), mas o trabalho da Dra. Joyce Wong, bem desenhado e executado (apresentado na sessão The Best of DDW 2012), trouxe mais dúvidas. Vamos aguardar os próximos trabalhos e estes pacientes devem ser vistos criteriosamente.

6. O tratamento da dor na pancreatite crônica deve ser multidisciplinar, com visão correta de seu componente neuronal (central e periférico). Os tratamentos medicamentosos têm seu papel (pré-gabalina e tricíclicos), mas também podem ser utilizados recursos endoscópicos (litotripsia extracorpórea e endoterapia) e cirúrgicos (Michelle A. Anderson, University of Michigan Health System; Christopher E.  Forsmark, University of Florida; Michael J. Levy, Mayo Clinic Rochester; Santhi Swaroop Vege, Mayo Clinic Rochester; Cahen, 2011; Ceyhan, 2007; Dite, 2003; Fasanella, 2007; Olesen, 2012).

7. No tratamento das pancreatites agudas:

a. há necessidade de reposição rápida de fluidos em altas doses e a nutrição enteral deve ser precoce (Conwell DL., Harvard Medical School).

b. foram apresentados os resultados comparativos entre necrosectomia transgástrica e cirurgia em pacientes com  pancreatite aguda necrótica infectada e a eficácia do procedimento endoscópico foi demonstrada (Bakker et al, 2012. Dutch Pancreatitis Study Group).

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2 Comentários a Pancreatologia: principais condutas atualizadas

  1. Marisa F Magalhães's Gravatar Marisa F Magalhães
    5 de junho de 2012 at 0:40 | Permalink

    Ótimo resumo! Estive lá, mas é impossível ver tudo. Parabéns pelo relato!

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