Cobertura DDW 2012 | Digestive Disease Week

Esôfago

Dr. Luiz Abrahão Junior

CRM: 5260588-0

  • Doutor em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ / University of California – San Diego
  • Médico do Serviço de Gastroenterologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – SOBED
  • Membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG
 

Novidades sobre fisiologia e doenças esofágicas marcam DDW 2012

Por Luiz Abrahão Junior / 29.05.2012 - 11:59hrs

Muitas novidades sobre fisiologia e doenças esofágicas marcaram o DDW 2012.Quanto ao diagnóstico dos distúrbios motores esofágicos, a manometria de alta resolução foi amplamente discutida, não só em relação a sua aplicação clínica, mas também suas limitações e impacto no manejo clínico. Dr. Mark R. Fox, da University of Nottingham, United Kingdom,apresentou os resultados de um estudo multicêntrico que avaliou a concordância interobservador de distúrbios motores esofágicos pela classificação de Chicago,  concluindo que a concordância variou de regular a ruim, sendo maior para reconhecimento de acalásia e aperistalse, e que a proposta de reconhecimento de padrões, inicialmente sugerida pelo grupo de consenso, parece não ser adequada. O impacto no manejo clínico também foi abordado em um estudo retrospectivo realizado pelo Dr. Karthik Ravi, da Northwestern University, United Kingdom, que demonstrou que um achado normal ou de altrerações mínimas se correlacionou a um bom prognóstico a longo prazo, com mínimo agravamento de sintomas e poucas intervenções terapêuticas. Progressos na avaliação pré-operatória de fundoplicatura foram demonstrados com o uso de deglutições repetitivas em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) submetidos à alta resolução, sendo este método mais eficaz em predizer disfagia pós-operatória.  Outros estudos interessantes foram apresentados, destacando-se a experiência francesa com os três subtipos de acalásia sem que houvesse diferenças significativas em termos de resposta terapêutica entre eles,

Apesar dos grandes avanços conquistados pela manometria de alta resolução, o método ainda apresenta limitações. Dr. Daniel Sifrim, da Inglaterra, abordou as principais limitações da atual classificação de Chicago, que na sua atual versão não aborda, por exemplo, as alterações do esfíncter superior e faringe, as doenças da motilidade secundárias, as alterações da musculatura estriada e principalmente as alterações pós-cirurgias do esôfago.

Quanto à DRGE, foram destaque os novos métodos de diagnóstico dos pacientes refratários aos inibidores da bomba de prótons (IBPs), sendo a impedância mucosa objeto de duas apresentações. Este novo método, realizado através de um catéter de impedância de dois canais, foi aplicado em pacientes refratários aos IBPs com uma boa correlação entre baixa impedância e aumento de permeabilidade mucosa, este último marcador de doença do refluxo não erosiva e ausente na pirose funcional.  A monitorização de pH faríngea (Restech) foi comparada à impedâncio-pHmetria e detecção de pepsina na saliva de pacientes com queixas laríngeas sugestivas de DRGE, sendo que a maioria dos episódios de refluxo detectados pelo Restech não se correlacionaram a refluxo na imp-pH e que a presença de pepsina na saliva correlacionou-se a episódios de refluxo  detectado à imp-pH em até 60 minutos antes.

Um novo dispositivo foi demonstrado em pacientes com refluxo laríngo-faríngeo que consiste na aplicação de uma cinta externa na altura do cricofaríngeo e que, associado ao uso de IBPs, foi capaz de reduzir os sintomas nos pacientes estudados (com sintomas refratários aos IBPs).

O impacto da impedâncio-pHmetria no tratamento de pacientes com sintomas típicos e atípicos de DRGE foi apresentado pelo grupo do Hospital Johns Hopkins,dos Estados Unidos, que demonstrou alteração de conduta, após o exame em metade dos casos, ressaltanto a importância do método em pacientes refratários aos IBPs.

Nos pacientes com hipersensibilidade esofágica e pirose funcional, novos antidepressivos (venlafaxina, citalopram, sertralina) e a pregabalina foram destacados como drogas promissoras.

Novas drogas ainda em teste também foram abordadas no tratamento da DRGE. Um novo IBP, E3710, foi testado pelo Dr. HideoTonomura, do Japão, em 30 voluntários saudáveis e comparado ao rabeprazol 10 mg e esomeprazol 40 mg dia, tendo demonstrado melhor controle ácido na dose de 40 mg/dia comparado ao rabeprazol e controle ácido noturno superior ao esomeprazol 40 mg/dia na dose de 80 mg/dia. Os bloqueadores dos canais de potássio, ainda em pesquisa, parecem ser promissores no tratamento de demanda por possuírem tempo de ação mais rápido que os IBPs. Inibidores de refluxo, tais como lesogabera e abaclofen, tiveram seus estudos interrompidos. No entanto, o ADX10059 continua sendo testado em ensaios clínicos.

A esofagite eosinofílica também foi amplamente abordada, tanto na fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Disfunção da musculatura longitudinal se correlacionou à menor distensibilidade esofágica à deglutição em um estudo utilizando ultrassonografia intraluminal e esofagomanometria. Fatores prognósticos de resposta a corticosteroides foram descritos tais como o FKBP51 e TGF beta fenótipo CC. A interface DRGE e esofagite eosinofílica, embora complexa, foi discutida à luz dos efeitos anti-inflamatórios intrínsecos dos IBPs, mesmo na ausência de DRGE, constituindo nos respondedores um grupo à parte, chamado eosinofilia esofágica responsiva a IBPs. Embora pareça tratar-se de um grupo distinto da esofagite eosinofílica, recomenda-se seu segmento a longo prazo.

Novas drogas como os inibidores da IL-5 (mepolizumabe, por exemplo), CRTH2 e antagonistas de leucotrienos estão em desenvolvimento.

 

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