Cobertura DDW 2012 | Digestive Disease Week

Intestino (B)

Dr. Marco Antônio Zerôncio

CRM: 3754

  • Coordenador do Ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade Potiguar, Natal, RN
  • Especialista pela Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – SOBED
 

Novidades sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII)

Por Marco Antônio Zerôncio / 20.05.2012 - 23:29hrs

Boa tarde a todos no Brasil!

É muito grande a minha satisfação em poder enviar informações sobre as novidades mostradas no DDW 2012 em San Diego no campo das doenças inflamatórias intestinais (DII). Como em todos os anos, a diversidade de temas apresentados ligados às DII é enorme e muito rica em detalhes de grande interesse científico.

Durante a manhã de hoje, alguns assuntos foram especialmente importantes. Scott D. Lee e colaboradores das Universidades de Washington e da Filadélfia mostraram resultados de um estudo envolvendo o uso de certolizumabe pegol na retocolite ulcerativa (RCUI) – abstract 326. Como sabemos, dos três agentes biológicos anti-TNF existentes (infliximabe, adalimumabe e certolizumabe) usados no tratamento das DII, apenas o infliximabe teve aprovação no Brasil, até o momento, para tratamento tanto da doença de Crohn (DC) quanto para tratamento da RCUI. O adalimumabe foi recentemente aprovado na União Europeia para tratamento da RCUI, mas não foi ainda aprovado no Brasil para esta finalidade, onde continua sendo usado apenas para a DC. Em dezembro de 2011, houve aprovação do certolizumabe no Brasil para tratamento da DC. Neste estudo aberto e prospectivo, os autores demonstraram uma resposta clínica (definida como uma diferença no Mayo Score > 3 na semana 14) em 70 % dos pacientes (p < 0,001) com doença moderada a grave. Embora o estudo envolva um pequeno número de pacientes (n = 10), os resultados são promissores e abrem caminho para o desenvolvimento de um estudo randomizado maior. Considerando um arsenal terapêutico relativamente limitado no tratamento de pacientes com DII, este trabalho traz novas perspectivas de opções terapêuticas para a RCUI refratária às terapias usuais.

Kyu Joo Park e colaboradores da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Seul, Coreia, mostraram resultados de um estudo envolvendo o uso de células-tronco autólogas derivadas do tecido adiposo para cicatrização de fístulas perianais complexas em pacientes com DC (abstract 329). A cicatrização de fístulas perianais complexas representa um dos maiores dilemas no tratamento da DC, com boa parte delas ainda refratária às terapias disponíveis (antibióticos, imunossupressores, agentes biológicos, cirurgia). Após controle da sepse perianal e curetagem das fístulas com colocação de setons, extratos de células-tronco foram injetadas nos trajetos e o orifício externo fechado com cola de fibrina. Em 12 pacientes com fistulas complexas refratárias, foi possível obter cicatrização completa em 75% deles em um período médio de 4 a 8 semanas. Após um acompanhamento médio de 16 meses, a cicatrização foi mantida em todos os pacientes inicialmente beneficiados.

Daniel J. Stein e colaboradores da Faculdade de Medicina de Wisconsin e da Universidade de Pittsburgh, EUA, abordaram um tema muito importante para a prática clínica diária das DII sobre a associação de sintomas de síndrome do intestino irritável (SII) em pacientes com DII (abstract 307). Existe uma frequente preocupação com a permanência de sintomas digestivos em pacientes com DII que entraram em remissão (em torno de um terço dos pacientes com RCUI e 57% dos pacientes com DC, segundo alguns estudos). Muitos deles têm, na verdade, um quadro de SII associado, já chamado de SII pós-DII, que pode levar a uma má interpretação clínica, induzindo o médico acompanhante a acreditar que a DII ainda permanece ativa. Os potenciais riscos deste pensamento equivocado incluem mudanças desnecessárias de uma medicação que está controlando eficazmente o processo inflamatório, o excessivo uso de corticoides e de imunossupressão e, em casos extremos, a indicação de cirurgias desnecessárias. Os autores concluíram que a maioria dos pacientes com SII pós-DII é formada por mulheres e por pacientes com DC. Tais pacientes têm índices piores de qualidade de vida e índices falsamente elevados de atividade da DII.

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4 Comentários a Novidades sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII)

  1. Dr. Orlando Barbosa Paz Filho's Gravatar Dr. Orlando Barbosa Paz Filho
    25 de maio de 2012 at 23:35 | Permalink

    Parabéns Dr. Marco Zerôncio!, pelas exposições e pelos comentários enriquecedores.

  2. André Buarque's Gravatar André Buarque
    30 de maio de 2012 at 7:48 | Permalink

    Parabéns Dr. Marco Zerôncio pelo post e pela clareza na exposição das informações!

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