Cobertura DDW 2012 | Digestive Disease Week

Estômago e Duodeno

Dr. Antônio Carlos Moraes

CRM: 5243606-9

  • Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG
  • Membro Titular do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil – GEDIIB
  • Chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Copa D’Or, Rio de Janeiro, RJ
 

Estudo sobre pólipos gástricos

Por Antônio Carlos Moraes / 22.05.2012 - 12:06hrs

Segunda-feira (21/0), DDW lotado!! Mais de 16 mil participantes.

O dia não teve muitas sessões sobre estômago e duodeno, mas mesmo assim pude assistir apresentações interessantes envolvendo estes temas.

Cada vez mais, tenho a sensação de estar vendo endoscopias com lesões polipoides de estômago, principalmente pólipos hiperplásicos. Em função disso, fui assistir a uma apresentação sobre pólipos gástricos.

Gastric polyps: a retrospective analysis of endoscopic, histopathologic and clinical features in a culturally diverse patient population. Vivek M. Trivedi e Rajivkumar Amipara, da Mount Sinai School of Medicine.

Foi feita uma análise retrospectiva de achados clínicos, endoscópicos e histopatológicos de uma população de pacientes culturalmente diversa.

O objetivo do trabalho foi analisar as lesões polipoides gástricas no grupo populacional estudado. Uma série de 1.607 endoscopias digestivas altas feitas no período entre 2009-2010 foram revisadas, e todos os pacientes com lesões gástricas polipoides foram analisados retrospectivamente. Todas as lesões foram removidas por endoscopia ou biópsia por fórceps.

A conclusão do estudo mostrou que 2,6% dos pacientes estudados tinham lesão polipoide gástrica. Destes, 62% eram mulheres e 38% homens. A idade media foi 56,8 anos. Dispepsia foi o sintoma mais frequente (57,1%). Um pólipo único foi encontrado na maioria dos pacientes (54,8%) e em 45,2% múltiplos pólipos. Os pólipos eram < 5 mm em 57,1% dos casos, entre 5-10 mm em 31% e >10 mm em 12%. A maioria das lesões era séssil (69%) e a localização preferencial foi o corpo gástrico (43%). Aproximadamente 70% dos pacientes faziam uso de inibidor da bomba de prótons (IBP). O diagnóstico histopatológico mostrou as seguintes características:

- pólipos hiperplásicos (47,6%)

- pólipos de glândulas fúndicas (46,6%)

- adenomas (5%)

A presença de Helicobacter pylori foi confirmada em 25% dos pacientes com pólipos hiperplásicos e 25% dos pacientes com glândulas fúndicas.

O artigo conclui que infecção por Helicobacter pylori e uso de IBP não formam fatores preditivos do tipo histológico.

O artigo não reflete minha sensação de um número significativo de pólipos gástricos, uma vez que eles encontraram apenas 2,6 % das endoscopias com pólipos gástricos. Outro ponto importante do estudo foi a não correlação entre pólipo e IBP, que difere daquilo que temos discutido com frequência.

Precisamos analisar melhor estes pólipos em nosso grupo populacional…

 

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