Cobertura DDW 2012 | Digestive Disease Week

Estômago e Duodeno

Dr. Antônio Carlos Moraes

CRM: 5243606-9

  • Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG
  • Membro Titular do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil – GEDIIB
  • Chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Copa D’Or, Rio de Janeiro, RJ
 

Diagnóstico de lesões gástricas tumorais

Por Antônio Carlos Moraes / 23.05.2012 - 05:59hrs

Em função do horário do meu vôo, o dia de hoje (terça-feira, 20/5), no Centro de Convenções de San Diego, foi curto, mas mesmo assim, assisti a uma excelente mesa sobre abordagem clínica das massas de estômago (AGA Clinical Symposium). A intenção da mesa era mostrar as várias lesões gástricas tumorais encontradas na prática clínica e como são diagnosticadas e estadiadas.

Foram abordados o carcinoide gástrico, GIST (gastrointestinal stromal tumor), pólipos gástricos e ultrassonografia endoscópica do estômago.

A Dra. Nuzhat Ahmad, Professora Associada da Penn Medicine, University of Pennsylvania, fez uma excelente apresentação sobre o que há de novo no manejo do GIST. Nos casos de GIST localizado, ela divide a abordagem entre sintomáticos e não sintomáticos. Nos pacientes sintomáticos, ela sugere ressecar. Nos assintomáticos, ela toma a decisão baseada no tamanho da lesão. Massa maior que 2 cm, a decisão é pela ressecção. Caso seja menor do que 2 cm, propõe a realização de ultrassonografia endoscópica, na busca de achados suspeitos. Se houverem sinais suspeitos, promove-se a ressecção. Em caso negativo, faz-se o acompanhamento com ultrassonografia endoscópica. Este algoritmo foi publicado na Gastroenterology and Hepatology em 2009 (6:363).

Ela conclui que a ultrassonografia endoscópica, como método minimamente invasivo, é o melhor método disponível para o diagnóstico de GIST. Além disso, afirma que as lesões com mais de 2 cm apresentam risco potencial e devem ser ressecadas. Nas lesões com menos de 2 cm, o acompanhamento deve ser feito por ultrassonografia endoscópica. Não há consenso sobre o tempo de acompanhamento destes pacientes.

Depois, o Prof. Vinay Chandrasekhara, também da University of Pennsylvania, fez uma brilhante apresentação sobre pólipos gástricos. A aula teve como objetivo entender a classificação dos diferentes tipos de pólipos gástricos. Determinar que tipo de pólipo deve ser ressecado e discutir as indicações para realização de ultrassonografia endoscópica.

Definiu o pólipo gástrico como uma lesão séssil ou pediculada, que origina-se no epitélio ou submucosa e projeta-se para a luz gástrica. Os pólipos gástricos são uma entidade heterogênea, que incluem uma variedade de classificações histológicas. É importante chamar atenção para o potencial de malignidade de algumas destas lesões.

Os pólipos gástricos são encontrados em 0,1% a 3,4% dos pacientes submetidos à endoscopia digestiva alta. Mais de 90% são achados incidentais e a grande parte dos pacientes é assintomática. Quando ocorrem sintomas, geralmente, são citados sangramento, anemia, dor abdominal e obstrução gástrica.

Ainda que alguns pólipos tenham características típicas, a avaliação endoscópica pode ser equivocada. Por isso, a avaliação histológica é fundamental que seja feita a biópsia durante a endoscopia. Quando são encontrados múltiplos pólipos, geralmente, eles têm a mesma característica histológica.

O Prof. Chandrasekhara chamou a atenção que, nos casos de pólipos > 5 mm, a biópsia pode não representar o padrão histológico de todo o pólipo. Neste caso, podem não ser observadas características de displasia ou carcinoma. Ele apresentou um estudo prospectivo de 222 pólipos gástricos com > 5mm, em que houve completa concordância da biópsia em 55,8% dos casos, diferenças pequenas em 34,7% e diferenças relevantes em 2,7%. Este estudo foi publicado no AM J Gastroenterol em 1996 (91:714-7).

O pólipo de glândula fúndica é o mais frequente dos pólipos gástricos, sendo encontrado de 0,8% a 1,9% de todos os pacientes submetidos à endoscopia digestiva. Ele citou um estudo com 56 pacientes com pólipos gástricos suspeitos de serem pólipos de glândula fúndica e fez os seguintes comentários:

-          a endoscopia teve acurácia diagnóstica em 89% das lesões (50/56 pólipos). Este estudo foi publicado no J Clin gastroenterol 2003;36;399-402. Portanto, ele não recomenda a biópsia de pólipos de glândulas fúndicas.

Em relação aos pólipos de glândulas fúndicas associados ao uso de inibidores da bomba de prótons (IBP), o Prof. Chandrasekhara fez os seguintes comentários:

-          baseado em estudo com 1.780 pacientes submetidos à endoscopia digestiva alta (EDA) e que faziam uso continuo de IBP por mais de 12 meses, houve forte correlação entre IBP e pólipos de glândulas fúndicas. Estas lesões foram identificadas em 15,7% dos pacientes que faziam uso de IBP.

-          Também ressaltou que outros estudos não mostraram uma relação tão forte entre estes dois fatores. Aproveitou para afirmar que a presença de Helicobacter pylori não interfere no rumo do aparecimento de pólipos de glândulas fúndicas em pacientes usuários de IBP.

-          Ressaltou que estes pólipos têm alto risco de displasia (>40%) e que os fatores de risco para displasia são o tamanho do pólipo e a presença de gastrite antral. No entanto, o risco durante a vida de evolução para câncer gástrico é de apenas 0,6%.

Em relação aos pólipos adenomatosos, disse que são comumente encontrados no antro, mas podem estar em qualquer segmento gástrico. Geralmente, estão associados à gastrite atrófica e metaplasia intestinal. Não há relação com Helicobacter pylori. As lesões maiores que 2 cm são fator de risco para neoplasia. Os pólipos adenomatosos devem ter remoção endoscópica completa. Nos casos de ressecção incompleta, a endoscopia deve ser repetida apos 6 meses. Nos casos de ressecção completa, ele sugere nova endoscopia após 1 ano. Falou também de hamartomas e síndrome de Peutz-Jegherz, mas pela raridade, não vou detalhar neste texto.

Agora é esperar o próximo DDW em Orlando em 2013!!!

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2 Comentários a Diagnóstico de lesões gástricas tumorais

  1. Luiz Eduardo's Gravatar Luiz Eduardo
    5 de junho de 2012 at 18:20 | Permalink

    Parabens pela contribuição de voces para os colegas que não foram a San Diego ; eu estive por la e preseciei o esforço de Maria do Carmo e colegas para manter o site On line . Um abraço.

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