Cobertura DDW 2012 | Digestive Disease Week

Estômago e Duodeno

Dr. Antônio Carlos Moraes

CRM: 5243606-9

  • Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG
  • Membro Titular do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil – GEDIIB
  • Chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Copa D’Or, Rio de Janeiro, RJ
 

Destaque para estudo brasileiro, DDI, obesidade, hepatite C e desordens funcionais do esôfago

Por Antônio Carlos Moraes / 29.05.2012 - 12:07hrs

Mais um DDW! Apesar da grande distância, com quase 20 horas de viagem, é sempre muito bom ir a San Diego. Cidade jovial, ensolarada, com boa temperatura e um centro de convenções excelente.

Mais de 16 mil médicos de todas as partes do mundo. A delegação brasileira, como vem acontecendo nos últimos anos, era bastante grande. Vários pôsteres e lecture sections foram apresentados por brasileiros.

Estômago e duodeno não foram vedetes este ano. As doenças inflamatórias intestinais, obesidade, hepatite C e desordens funcionais do esôfago tiverem grande destaque.

Com as severas restrições impostas pela agência regulatória americana, a área de exposição da indústria farmacêutica foi tímida e pouco atrativa. Em nenhum momento esteve cheia, como em anos anteriores.

Gostei muito de ter participado da mesa sobre o uso inapropriado dos inibidores da bomba de prótons (IBP). Sabemos hoje que existe um uso exagerado e inadequado deste grupo de drogas e, que isso pode, inclusive, comprometer a credibilidade de drogas tão importantes e úteis. Associação com Clostridium difficile, nefrite intersticial, pneumonia associada à ventilação mecânica e osteoporose são algumas das alterações estudadas recentemente com o uso inadequado e prolongado destas medicações. Devemos utilizá-las apenas nos pacientes que, efetivamente, têm indicação terapêutica ou profilática.

A mesa sobre náusea, vômitos e gastroparesia também foi excelente. Temos que ter bastante atenção com os pacientes diabéticos e valorizar mais as queixas de dor abdominal, plenitude pós-prandial, náuseas e vômitos neste grupo de pacientes. O uso exagerado de analgésicos, especialmente nos pacientes idosos, também é importante causa de gastroparesia e muitas vezes pouco valorizada, pois se costuma atribuir a náusea e os vômitos ao efeito da medicação e não à gastroparesia. A mesa citou o tramadol como uma das medicações que não valorizamos a possibilidade de gastroparesia.

Helicobacter pylori esteve presente em inúmeros pôsteres, temas livres e sessões plenárias. Associação com o câncer de estômago, associação com polipose intestinal, dispepsia e potencialização de efeito lesivo associado ao ácido acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel foram os mais abordados em relação a esta bactéria. É, sabidamente, o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de estômago. No entanto, o efeito da sua erradicação para a prevenção do câncer gástrico ainda é controverso, em particular, nos pacientes que apresentam lesões gástricas consideradas pré-malignas. Existem fortes evidências para a prevenção da progressão carcinogênica nos pacientes com gastrite atrófica. No entanto, as evidências nos pacientes com metaplasia intestinal e displasia são conflitantes. Talvez apenas a erradicação do Helicobacter pylori seja insuficiente para evitar a carcinogênese nos pacientes com metaplasia e displasia.

A preocupação com o grande número de pacientes usuários de clopidogrel e AAS também foi bastante abordada. O acentuado número de pacientes com hemorragia digestiva alta e baixa deixa evidente que é necessário ampliarmos os estudos de profilaxia do sangramento. O Prof. Loren Laine, da Yale University School of Medicine, ressaltou o fato de que o pantoprazol, um fraco inibidor da CYP2C19, tem menos efeito na atividade farmacológica do clopidogrel e deve ser o IBP de escolha nesta associação. Diz que faz esta recomendação baseado nas orientações do Food and Drug Administrarion (FDA). Os IBPs continuam tendo grande destaque.

O trabalho brasileiro do grupo goiano, apresentado pelo Prof. Mauro Baffuto, do Instituto Goiano de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva,também merece destaque. Duodenal eosinophilia: a link between functional dyspepsia and post-infective functional dyspepsia? O trabalho ainda será ampliado, mas já mostra um elo entre dispepsia funcional e dispepsia funcional pós-infecciosa, pela grande quantidade de eosinófilos encontrados no duodeno destes pacientes.

Agora é colocarmos em prática aquilo que aprendemos e esperar o próximo DDW 2013, em Orlando. Até lá!!!

 

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